LGPD

Vivemos em uma realidade em que o volume de dados é imensurável e amplamente utilizado por empresas de diversos setores para suas operações e estratégias de negócio. Em meio a esses dados, encontram-se os de cunho pessoal dos cidadãos, como nome completo, idade, sexo, RG, CPF, estado civil, média salarial, ações do cotidiano, comportamento das redes sociais, preferências e muitas outras informações relevantes principalmente para empresas ligadas ao comércio e ao marketing digital.

Ambos os setores são os que mais coletam e manuseiam esses dados pessoais para suas estratégias, deixando-os muitas vezes vulneráveis e escancarados para qualquer pessoa. Obviamente isso é um risco para a privacidade de dados de todos os cidadãos. Muitas empresas utilizam-se dessas informações de má fé e de forma agressiva.

Visando controlar esse volume e práticas entorno desses dados, tendências globais tem se curvado cada vez mais por regulamentar políticas públicas de uso de dados, alterando o cenário jurídico sobre o tema a fim de traçar diretrizes concretas sobre a privacidade e segurança das informações pessoais.

LGPD

No Brasil, tal regulamentação já foi aprovada em 14 de agosto de 2018, pelo então presidente Michel Temer, que sancionou a S Lei Geral de Proteção de Dados do Brasil (LGPD), 13.709/2018. A mesma entrará em vigor em agosto de 2020, possibilitando às empresas um período de 18 meses para adaptação.

O texto aprovado sanciona diretrizes acerca da coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento de dados pessoais, com normais mais elevadas de proteção e penalidades para o não cumprimento por parte das empresas. As multas podem ser de até 2% sobre o faturamento da empresa.

Em suma, determina, entre outras coisas, que todos dados pessoais como nome, idade, estado civil e documentos, por exemplo, só podem ser coletados mediante o consentimento do usuário e com o esclarecimento sobre a finalidade de terminado dado.

Com essa lei, o nosso país entra na lista de nacionalidades que possuem legislação voltada para a proteção de dados pessoais. Consequentemente, haverá impacto para os setores e atividades que as utilizam demasiadamente, como é o caso do marketing e marketing digital.

Os impactos para o marketing digital

A maioria das estratégias e ferramentas utilizadas pelo marketing digital, se valem da coleta de dados dos seus clientes e possíveis futuros clientes para traçar ações de aproximação, engajamento e retenção dos seus consumidores. Dados são úteis para traçar as personas e o público-alvo do negócio, além de acompanhar suas trajetórias de consumo a fim de direcionar o conteúdo e a abordagem mais eficaz.

Com o advento da nova lei, a transparência e o uso responsável dos dados serão práticas obrigatórias para o marketing digital. Será necessária a obtenção de consentimento explícito pelo titular dos dados, informando-os sobre a possibilidade e finalidade do uso, e aguardando sua permissão para utilizá-los.

Além disso, a lei direciona às empresas que o uso de dados deve se restringir apenas para ações realmente necessárias, ou seja, priorizar o uso de dados (mesmo que consentidos) apenas para estratégias que irão, de fato, trazer um retorno positivo para a empresa e para o consumidor, estreitando laços, facilitando a comunicação e o atendimento por parte das empresas.

Muitas agências de marketing digital têm a cultura de acumular dados antes mesmo de saber o que farão com eles e qual será a finalidade dos mesmos. Estas empresas irão passar por uma mudança de mindset com a LGPD, seguindo o princípio de que a coleta de dados deva ser adequada, relevante e limitada ao mínimo necessário em relação às finalidades das estratégias.

Tendência

A tendência, a partir da LGPD, é que as empresas que utilizam o marketing digital, comecem a explorar novas estratégias mais naturais para alcançar o seu público. Isso não é sinônimo de deixar de utilizar dados, mas sim, tornarem-se mais específicas e focadas para gerarem seus leads de maneira mais orgânica.

O profissional de marketing digital e inbound marketing será desafiado a repensar e evoluir suas táticas de aproximação e retenção, a fim de priorizar a geração de valor para os consumidores e interagir de forma mais transparente e assertiva. Ou seja, focar em atrair os leads sem se utilizar exclusivamente de dados, mas também das interações e feedbacks dos clientes, e do investimento em conteúdos mais assertivos.

Impacto no Inbound marketing

Para o inbound marketing, que se utiliza exclusivamente de dados para alinhar os interesses e comportamentos dos consumidores em cada estágio do funil com o conteúdo e abordagem, essa nova determinação pode influenciar em sua estratégia. Porém, se o inbound seguir corretamente as regras de transparência, minimizando o uso de dados e usando apenas os que tiverem consentimento explícito, será possível manter uma coleta de informações do consumidor de forma legal e eficaz.

O conceito de que a quantidade de dados disponíveis é mais importante do que a qualidade das informações também irá mudar, o que resultará em ações mais específicas para ganhar leads. No caso do inbound marketing, valorizar os bons conteúdos que atraiam consumidores de forma natural e espontânea será a tendência pós-LGPD.

Pode haver uma diminuição no número de leads e de cadastros, porém, haverá um filtro muito mais natural, que irá resultar em leads mais qualificados. Isso porque os usuários que optarem por dispor de seus dados e iniciar um relacionamento com a empresa, vão ter maior potencial de conversão.

Como proceder para as autorizações?

Ao precisar utilizar dados para suas principais estratégias, é preciso pensar em como solicitar o consentimento para o uso dos mesmos. De um lado, o usuário quer seus conteúdos, do outro você precisa se mostrar transparente e confiável em relação à necessidade de uso dos dados do lead.

Seja sincero e diga como e por qual razão é importante ele lhe contar algumas coisas a seu respeito. Seja natural e demonstre os benefícios que essas informações podem trazer para a empresa e para o consumidor. Oferecendo conteúdos de qualidade, periodicamente e autênticos, as chances de o lead querer colaborar com a sua empresa será ainda maior. Por isso, a dica é: invista em marketing de conteúdo e direcione para seu público.